Fotografou já Madonna, David Bowie, Elton John ou Paris Hilton. Como Andy Warhol, que admirava, reflecte um interesse pelo universo das estrelas e famosos. Através suas imagens acaba contudo a reflectir sobre o mundo real
Num texto que encontramos no site oficial do fotógrafo, David LaChapelle explica que sempre usou o seu trabalho como "um meio para tentar compreender o mundo e o paradoxo que é a minha vida". Acrescenta ainda que "há uma sensação de que vivemos num precipício" e confessa esperar que através das "narrativas" que conta nas suas imagens possa entrar em contacto com as pessoas "abordando as mesmas ideias ou questões que possivelmente também as desafiam". Questões que, como ali refere ainda, passam pela vida num tempo de precariedade, a devastação ambiental, a instabilidade económica, as "guerras religiosas" ou o consumo excessivo que coexiste com uma pobreza extrema. As imagens talvez falem por si... Mas, convenhamos, as palavras do fotógrafo sublinham um quadro de reflexões que nelas encontra, mesmo resultando de um trabalho de elaborada encenação, um reflexo do mundo real em que hoje vivemos.
Anos de trabalho permitiram a David LaChapelle atingir o patamar em que hoje vive a sua obra, o relacionamento com as estrelas que convoca às imagens e a aclamação generalizada que dele fazem um dos mais célebres e bem-sucedidos fotógrafos da sua geração. Nascido em 1963, em Farfield, no Conneticutt, David LaChapelle tinha seis anos quando tirou a sua primeira fotografia. Como modelo teve não mais senão a sua mãe, Helga, em bikini e vermelho e de copo de Martini na mão, em tempo de férias em Porto Rico. Sem ainda o imaginar, acabara de encontrar um rumo...
Já com uma preparação técnica, que trabalhou entre estudos na North Carolina School of Arts e na School of Visual Arts em Nova Iorque, conheceu em Andy Warhol o seu primeiro entusiasta. Trabalhava então na mítica discoteca Studio 54 quando Warhol o conheceu, convidando-o a trabalhar para a revista Interview. O currículo começou a ganhar forma, com o tempo abarcando ainda trabalhos para a Rolling Stone, Vogue ou a Vanity Fair. Como Warhol, partilhou desde cedo um interesse pela cultura pop e pelo apelo e glamour do star system. E frente às suas câmaras passaram, ao longo dos anos, nomes tão diversos quanto os de Madonna, David Bowie, Eminem, Jeff Koons, Britney Spears ou, mais recentemente Lady Gaga.
Expõe em nome próprio desde 1984. Publicou já vários livros. Assinou a realização de telediscos para nomes como Elton John ou Moby. E realizou em 2005 o documentário Rize, sobre uma forma de dança ligada à street culture. A sua obra documenta as obsessões e compulsões da América, através do excesso procurando, no fundo, reflectir sobre a realidade.