segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Facebook pelos olhos de Phillip Maisel.

Imagens, imagens, imagens. O olhar de cada um de nós é bombardeado, sem cessar, pela panóplia de imagens com que o quotidiano é construído. Seja em publicidade pela rua, na televisão ou no computador, temos acesso a tantas fotografias e imagens que perdemos a capacidade de as processar na íntegra. Phillip Maisel, fotógrafo conceptual, entrou nos álbuns fotográficos do Facebook e apresenta-nos uma perspectiva diferente daquela a que estamos habituados…
Facebook Phillip Maisel
Se abrir um qualquer álbum de imagens do Facebook e passar incessantemente as fotografias à sua frente, o que obtém? Talvez um borrão de momentos especiais e outros quotidianos. Um borrão de pessoas, locais e memórias. Esta foi a experiência feita pelo fotógrafo conceptual Phillip Maisel que, após ver fotografias seguidas de mais e mais fotografias, ficou fascinado pela velocidade com que é possível visualizar milhares de imagens através do Facebook.
Desta conclusão resultou o trabalho fotográfico “A more open space” ("um espaço mais aberto", em português), intitulado a partir de uma citação do criador do Facebook, Mark Zuckerberg. Ao todo, vinte imagens são o efeito da sobreposição múltipla de vinte álbuns de imagens no Facebook. As imagens obtidas, sobrepostas e indefinidas, mostram-nos vidas que não são as nossas e que até já poderiam ter passado pelos nossos olhos, à velocidade de um relâmpago.
«Esta é a minha perspectiva sobre a reacção que tive a este afluxo maciço de fotos que todos vivemos hoje em dia», explica Maisel. O trabalho reflecte, à vez, o próprio processo humano de processamento das imagens com que se depara, mas também questiona as noções de privacidade e as fronteiras entre o que pertence à esfera do íntimo e o que deve ser mostrado na esfera pública.
Facebook Phillip Maisel
Facebook Phillip Maisel
Além de espicaçar o lado curioso e voyeur de cada um de nós, as fotografias das redes sociais, muitas vezes desprotegidas dos olhares anónimos, são a porta de entrada para mundos íntimos e familiares aos quais não pertencemos. Pelo menos antes do mundo da Internet nos ter feito entrar nestas vidas, quase de forma legítima.
O próprio Maisel reconhece que não sabe bem qual a opinião que tem sobre a privacidade e a Internet, apesar do fascínio que a questão lhe suscita. «Cada vez que encontro as fotografias de férias de um estranho no Facebook ou fotografias de um bebé colocadas por um pai que nunca conheci fico um pouco admirado de ter acesso a momentos tão íntimos e privados sem que haja um mínimo esforço da minha parte», comenta.
Facebook Phillip Maisel
Para fazer este trabalho, Maisel utilizou a técnica fotográfica de longa-exposição perante um ecrã de computador onde corriam, em contínuo, fotografias de álbuns do Facebook. Cada imagem obtida tem o nome do álbum do Facebook que lhe deu origem. O artista usou os seus próprios álbuns digitais, assim como os de amigos e de perfeitos estranhos. Como inspiração, Maisel aponta o trabalho de Idris Khan e Jon Rafman que lhe fizeram pensar, respectivamente, na compressão do tempo numa só imagem e nas potencialidades da Internet como fonte de material criativo.
Facebook Phillip Maisel
A mancha de diferentes fotografias e, por consequência, de diferentes vidas é também um novo olhar perante a realidade do mundo digital e das recordações efémeras. Quando parte da nossa vida é construída no ecrã do computador, o que acontece quando a máquina é desligada ou quando a conta do Facebook deixar de ser usada? Perdemos uma parte de nós?
E o que acontece ao borrão de fotografias das férias daquela tia (que não vemos pessoalmente há anos) que fizemos correr no ecrã em meros segundos? Será que as esqueceremos no meio do turbilhão contemporâneo de imagens ou ficarão guardadas, num cantinho da memória, longe de um qualquer botão “Off”?
Mais sobre este projecto no site de Phillip Maisel.
Facebook Phillip Maisel

As fotografias de Casamento nunca mais foram as mesmas.

Caroline Ghetes é uma fotógrafa de casamentos e noivados, mas a sua objectiva captura estes momentos como poucos são capazes. Em vez das convencionais imagens a que estamos habituados nestes eventos, as fotografias de Ghetes têm uma verdadeira personalidade.

Caroline Ghetes casamento marriage
Há sete anos, Caroline Ghetes ainda não era fotógrafa. Esta norte-americana da Carolina do Norte descobriu a sua paixão pelo meio quando em 2004 acompanhou a cunhada numa sessão fotográfica de um casamento. Era apenas a assistente mas, a partir daí, nunca mais deixou a objectiva. Quando mostrou pela primeira vez um slideshow de imagens a uma noiva e esta começou a chorar de emoção, Ghetes soube que tinha encontrado a sua carreira.
Pouco tempo depois deste episódio, Ghetes lançou o seu próprio website e estas imagens são o resultado. Trabalhando como freelancer, ela atende pedidos que vêm de todo o mundo para fotografar casamentos, noivados e batismos, entre outros eventos especiais. Mas estas fotografias não são como as convencionais a que estamos habituados nestes momentos: elas têm personalidade e transpiram vida. Assumindo-se uma romântica incurável, ela documenta o dia mais importante na vida dos seus clientes oferecendo-lhes memórias únicas.
Caroline Ghetes casamento marriage
Caroline Ghetes tem uma metodologia. Antes de qualquer sessão, tem um encontro com os noivos para tentar perceber que tipo de fotografias seriam ideais e para os conhecer melhor. Como se conheceram, quais são os pratos preferidos, as músicas, os filmes, como foi o pedido de casamento, qual foi a coisa mais louca que fizeram, etc.. Só depois deste questionário informal é que Caroline expõe algumas ideias acerca do que quer fazer para descobrir quanto pode arriscar: cada cliente tem determinadas expectativas que têm de coincidir com o seu conceito artístico.
No dia D usa sempre câmaras digitais, com um olho atento a tudo o que a rodeia. Nenhum momento especial pode ser perdido, especialmente num casamento onde tanta coisa está a acontecer ao mesmo tempo. É também marcada uma sessão fotográfica mais criativa apenas com os noivos e, nestas imagens, Ghetes admite uma aproximação a pintores surrealistas, especialmente René Magritte.
Cada sessão custa entre 4200 a 9000 dólares e como a fotógrafa é religiosa, 10% dos seus lucros são doados à Igreja. Apaixonada pela cerimónia matrimonial, no seu website dá também conselhos para este dia e deixa um aviso para todos aqueles que já são marido e mulher: nunca deixem de namorar, não importa há quanto tempo estejam juntos!
Caroline Ghetes casamento marriage
Caroline Ghetes casamento marriage
Caroline Ghetes casamento marriage
Mais trabalhos no site de Caroline Ghetes.